19.7.07
Ela deixa isso claro, todos os dias.
Certamente diz: “Aí está a manhã, não é fácil amá-la? É tão fácil amar o que é belo, amar o que todos amam. Mas não sou apenas esse sol que te acalenta. Você sabe disso, ela também”.
Nisso somos iguais.
Isso é claro.
A escrita não salva, nem mesmo consola.
Descobri que posso ser visto com algumas palavras.
Ser, por vezes, odiado e, veladamente, amado.
É por isso que insisto em escrever-te.
Insuportável é deixar de ser,
Viver diariamente este resto de dia.
2.7.07
Sucede que me canso de ser hombre.
Sucede que entro en las sastrerías y en los cines
marchito, impenetrable, como un cisne de fieltro
Navegando en un agua de origen y ceniza.
El olor de las peluquerías me hace llorar a gritos.
Sólo quiero un descanso de piedras o de lana,
sólo quiero no ver establecimientos ni jardines,
ni mercaderías, ni anteojos, ni ascensores.
Sucede que me canso de mis pies y mis uñas
y mi pelo y mi sombra.
Sucede que me canso de ser hombre.
Sin embargo sería delicioso
asustar a un notario con un lirio cortado
o dar muerte a una monja con un golpe de oreja.
Sería bello
ir por las calles con un cuchillo verde
y dando gritos hasta morir de frío
No quiero seguir siendo raíz en las tinieblas,
vacilante, extendido, tiritando de sueño,
hacia abajo, en las tapias mojadas de la tierra,
absorbiendo y pensando, comiendo cada día.
No quiero para mí tantas desgracias.
No quiero continuar de raíz y de tumba,
de subterráneo solo, de bodega con muertos
ateridos, muriéndome de pena.
Por eso el día lunes arde como el petróleo
cuando me ve llegar con mi cara de cárcel,
y aúlla en su transcurso como una rueda herida,
y da pasos de sangre caliente hacia la noche.
Y me empuja a ciertos rincones, a ciertas casas húmedas,
a hospitales donde los huesos salen por la ventana,
a ciertas zapaterías con olor a vinagre,
a calles espantosas como grietas.
Hay pájaros de color de azufre y horribles intestinos
colgando de las puertas de las casas que odio,
hay dentaduras olvidadas en una cafetera,
hay espejos
que debieran haber llorado de vergüenza y espanto,
hay paraguas en todas partes, y venenos, y ombligos.
Yo paseo con calma, con ojos, con zapatos,
con furia, con olvido,
paso, cruzo oficinas y tiendas de ortopedia,
y patios donde hay ropas colgadas de un alambre:
calzoncillos, toallas y camisas que lloran
lentas lágrimas sucias.
Pablo Neruda
24.6.07
17.6.07
O profano ressurge
Você me olha com os mesmos olhos de sempre. Não os entendo, como sempre fiz, como um chamado ou um trem qualquer que só existe entre nós. Estou começando a entendê-los, agora, apenas como olhos que sempre me olham e nunca vou saber o porquê. Às vezes grandes e claros, às vezes pequenos.
7.6.07
Um cansaço que pesa há anos me faz adormecer mais do que o tempo que me pertence. Você seguia e eu observava a paz de quem se despedia de um dia bem vivido. Angustiado sentei junto aos outros poucos que permaneceram. Se por acaso acordássemos no meio da vigília, quem sabe, não houvesse angústia. Se o mundo se move ou não, se as pessoas seguem ou fazem círculos, sobre isso quem pode dizer? Mas quem dirá que não é movimento? Você passa e eu fico, patético. Sento na grama e fito todos. Vejo também que daqui onde estou estou fora do mundo. Ou digo isso por que não posso ver seu limite e nele estou imerso e há onde não há cor? Essa segregação do mundo e esse sentimento preto e branco do mundo. Uma obra de Dreyer sem promessa de ressurreição alguma. Tem também a muda contemplação.
Nunca tinha percebido como seus traços se parecem com os de uma pintura renascentista. Tem um toque indefinível que te concede um encanto. É coisa sutil que parece ser o sorriso de um contorno, e não o contrário.
E essa promessa de que um dia vou misturar-me a todas as cores do mundo, e misturar-me também a ti.
Porque tenho que compará-la sempre a algo supremo ou maldito? Por que não digo que seu traços se parecem com nenhum outro?
notas de um dia de cão. esse é o nome do livro. um livro a duas mãos.
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Não me aconteceram as melhores coisas. Também não me aconteceram as piores. As melhores coisas são como a verdade: ninguém tem dúvida de que...
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Quando irá escrever novamente, A.? Preciso de algo seu. Troco todos meus livros por algumas linhas suas. Você está erguendo uma nova casa, A...
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Aos meus visitantes Tenho escrito pouco comparado a outros períodos. Minha disposição de me expor ainda exite e coexite agora com um cansaço...