17.2.16

O temporal tem hora marcada para esta tarde, e eu saio do abrigo. Terrivelmente quente como é de se esperar, busco a chuva. Lá no centro, no Rio, debaixo da água do fim de tarde - imagem magnífica.

Ela tá lá. Não se esconde, por que não é vista. Como um buraco negro, sei que ainda existe pois me atrai poderosamente. Mas diferente disso, ainda posso regressar a um lugar seguro e te observar esperando um raio de atrevimento.  

31.1.16

Unfamiliar paths. Meu caminho segue entre um texto final que não suporto mais, uma vida sem um desejo que valha, e pensar o próprio caminho.

Meio insônia e meio desejo durante os últimos dias. Mas nada que justifique. Uma sombra que posso tocar de alguma coisa.

Aquela moça solitária no meio do salão. Ela dança bem. Recebe convites a cada música. Gentilmente, lhe estendo a mão e, como sempre àquela época, a música acaba. Era a mais intensa, porém a mais curta. Hoje, não só ela me faz questionar o que há para mim nessa vida. A alegria do carnaval está aqui do lado. Os blocos e a cerveja.

Acordo. Acordo a noite e abro a porta do quarto para vê-la. Me deparo com a noite sem uma nuvem sequer, e também sem estrela. É possível. Como da vez que tentei voar e não havia ar para me sustentar. Como da vez que te abracei e acabei por apertar meu próprio peito.

18.1.16

Um desejo mantido, não usado, conserva por muito tempo sua força primeira. Tive outra prova essa semana passada. Uma amiga acabou por confessar isso a mim. O desejo de anos atrás sempre se renova a cada nova conversa esporádica que temos sempre. Da minha parte é o mesmo. Nunca muda, só as circunstâncias que nos envolvem. Não estamos sós, ela principalmente nunca esteve só, mas sempre pelo destino nunca nos encontramos livres do peso moral de um relacionamento. Propus um trato. Seríamos os próximos na linha sucessória. Ela aceitou, e me convidou para uma cerveja, na próxima semana, para gozarmos nossa maturidade e conversar como sempre.

9.1.16

O fumo. A nicotina, a cannabis.
O álcool. A cerveja - de milho, óbvio -, o conhaque, a cachaça.
Bife de figado acebolado, vagina e pelos na boca.
Tudo tão esperado, tudo tão desejado. Sexo não entra? Sim, mas depois de uma idade, é um universo a parte. A procura da parceira ideal não se inicia nos bares. O tal do transcendental, aquilo que está bem ali mas não podemos experienciar antes nós mesmos, entende?

1.1.16

Como o tempo engole as pessoas... E a mente cria outras para ocupar o lugar, inexoravelmente.

24.12.15

Essa moralidade toda que me reveste. Por que me ocupar de respeitar todos os contratos firmados que me matam a vida de tanto tédio. Merda de objetivos. Merda de títulos, merda de amores que escolhi para minha vida. Merda de não ficar, poder ficar, no limite mínimo sem me culpar. Não falo da merda da vida simples, merda de viver sem dinheiro. A merda toda é justamente não poder acabar com os restos de meus dias fazendo uma merda qualquer. Essa moralidade que me mata de fora pra dentro. Não nasci com isso nas minhas vísceras. Não vai haver alívio para mim. Nem cerveja suficiente, nem na merda dos bares frescos do maleta, nem nos butecos de verdade.

notas de um dia de cão. esse é o nome do livro. um livro a duas mãos.