28.9.19

Até o momento, só sentimento. Tudo vago, fora de ordem e com tanto sentido. Se mais vago, mais alto são as edificações simbólicas e mais perigo de virem ao chão, pois não são construídas com a solidez da coisas reais.

Hoje antes de sair de casa, sua foto foi mostrada para mim. Não pedi por isso, nem procurei, mas hoje complexas cadeias de funções matemáticas são autossuficientes para decidir o que posso ou não deixar de lado em minha vida.

1.9.19

Caminhei pelo corredor e ao virar à esquerda trombei com ela. Trombada sem violência, sem mortes, sem cadernos ao chão. Um susto leve. Ela abaixou a cabeça e seguiu e não virou para trás quando se distanciava. Eu sim, observei-a até que entrasse em uma sala no fim do corredor. Três segundo de transe... Mais alguns minutos também durante o resto do dia. Eu não fui até a sua sala. O encontro já havia acontecido. Haverá um próximo, quando eu esquecer novamente da nossa existência.

20.8.19

Passei a metade de minha vida e toda ela à espera de mim. O ser e sua autenticidade, não o conceito. Aqui estou no lugar errado e aqui permaneço porque é o único lugar que posso reivindicar como meu. A autenticidade das coisas chegou antes mesmo da minha descoberta da possibilidade de tudo. Não posso me colocar à frente do mundo e domar as possibilidades que desejo. E assim, fico a aguardar um novo alinhamento dos astros, das vontades e dos olhares.

9.9.18

esperando o imponderável, sigo na vida prática. uma boa cama em um domingo tranquilo com todas as diversões que me agradam. preguiça e jogatinas noturnas ditam meus hábitos. com pouca bebida e pouca carne nunca tive melhor saúde. tese revisada e entregue e toda a paz das atividades pontuais, sem maiores pretensões, poucas páginas e responsabilidades, se não compartilhadas, transferidas. as paixões? não tenho nenhuma. a única coisa parecida que restou está no canto do cérebro, quieta e sem saber por que ainda está por lá.

21.6.18

3 segundos é tempo mais do que suficiente para um desencontro. Um gole de café a menos, uma respiração profunda, não cortar o caminho pela grama. 3 segundos evitaram o tempo retornar mais de uma década. Passado o desencontro, um café e uma lenta e esperançosa respiração se estenderam por todo o resto de tarde. O tempo só tem sentido perante o que se passa.

15.12.17

Ocupo-me tanto a observar-me por dentro que quando chego ao espelho não o reconheço.

As outras pessoas de fora me conhecem melhor. Por isso, procuro entendê-las quando não correspondem ao que tenho certeza.

7.12.17

Tentando voltar ao hábito de escrever com mais frequência coisas quaisquer que não proposições. Isso e outras que eu desconhecia. Ocupava-me mais de delírios e de colocar sob regras da sintaxe coisas disformes que preenchiam meus tempos dedicados a pensamentos sérios. Com calma, volto até lá onde comecei. A cafeteira italiana já apita...

4.12.17

Chuva, chuva e chuva.
Hipóteses sobre o universo. Os resíduos vão bem, e os erros explicam justo o que não posso saber.
A incerteza quase absoluta e a paralisia quanto a qual erro cometer.
Aguarde uma mensagem minha.

25.7.17

O sonho é difícil de matar no sonhador.

Por definição algo será idêntico a sua definição. O sonho é difícil de matar no sonhador. Antes, que se mate o sonhador, pois ele não deixará de sonhar.  Não há como deixar de sê-lo.  Ainda que o próprio sonho o mate. Ele continuará idêntico a sua definição.

30.5.17

As piores músicas de minha vida são as que me fazem lembrar o quanto não pude amar-te.
Tantos anos. Tantas vontades.
Quanto essas músicas me mataram. O coração crescia quase ao infinito e ficava por lá.
Assim é por anos.
À noite e só. Cerveja, cachaça.

4.9.16

Caminhei pelo parque central do campus. Já começa o fall, porém ainda há verde e calor. E como eu esperava, hoje o fim de tarde estava morno. Te conto que você estava lá ao meu lado. Puxou-me pelo braço até as flores que eu não havia percebido. Eu havia visto de longe o imenso florido que acompanhava a estradinha de tijolos, mas não havia percebido as flores. E você como sempre, apresentou-me elas, uma por uma. Depois você se foi, minha amiga. E eu caminhei até a East Franklin St. para comer pizza e esperar meu bus.

20.4.16

Esse aqui é o mundo que criei para mim. O outro, o mundo, esse que não domino mesmo, esse é onde vivemos. Dele não posso voltar. Nele eu irei morrer.
Cá, os sorrisos são exatamente o que eles querem ser.
Bem, aqui não tem cerveja - ponto pra realidade.

5.4.16

Caminhando pelo saguão do aeroporto de BSB, a vejo de branco ou uma outra cor muito clara. Ela e seus cabelos cacheados estavam sentados olhando para o movimento do lugar e aparentemente estava despreocupada. "Vou até ela?" - se fosse possível uma frase para minha reação. Não, nem esbocei uma ida. Me afastei a uma distância segura e olhei para ela alguns segundos. Eu perderia o voo por uma breve conversa. Mas não fui. Faz um bom tempo que não tento o mínimo entre nós.

Chegou a hora do embarque. Cabeça reta para o avião. Entrei no voo pensando em coisas para escrever. Lá no alto, o sono me derrubou.

"O senhor aceita um sanduíche de peito de peru?"

28.3.16

Está esfriando em Belo Horizonte. Depois de um dia de metodologia, um latão pela metade. Um brinde a mim, sem trocadilhos.

Espero que minha amiga não vá embora. Embora, ela nunca estivesse, ao que parece. Embora, aparentemente sim. Mas, ali onde a conheço, não está. De qualquer forma, espero dela uma saída menos clichê que suicídio ou a embriaguez.

Eu estou bem. Ali na coluna do meio, como sempre. Fazendo o mesmo. Voltei a escutar o Killers esse fim de semana. Can you read my mind? Acho que não. Mas se por acaso, das coisas estranhas que ocorrem no mundo o tempo todo menos com nós, você pudesse, certamente se apaixonaria, e perderia sua vida por alguém que não vale a pena.

4.3.16

Lembro de Aline e procuro músicas bonitas. Se eu conseguisse uma frase para o que sinto, seria algo assim, 'qual música trará Aline para perto de mim agora?'

"Once divided
Nothing left to subtract
Some words when spoken
Can't be taken back
Walks on his own"

27.2.16

as minhas mãos doem quando ergo o mundo sobre a cabeça. doem e somente porque tenho força para chegar a isso.

notas de um dia de cão. esse é o nome do livro. um livro a duas mãos.